sexta-feira, 29 de junho de 2012

Lido: Nem Barras de Ferro

Nem Barras de Ferro (bib.) é uma noveleta de ficção científica de James Blish ambientada no mesmo universo ficcional de Tempo Normal. Os enredos, aliás, têm alguns pontos de contacto. Aqui, o leitor depara de novo com uma nave interstelar equipada com um motor experimental, embora desta vez não se trata de um voo de teste, mas uma expedição de colonização. E de novo algo acontece de muito inesperado, algo que vai colocar a tripulação da nave numa situação para a qual não estava preparada: é que algo na interação entre os mundos relativísticos e quântico vai fazer com que a nave e tudo o que contém como que mingua até que um único eletrão se agiganta na sua frente como se fosse um pequeno planeta, ao mesmo tempo que todas as pessoas na nave dão por si a partilhar os pensamentos com todas as outras.

Gostei muito menos desta história do que de Tempo Normal. Porquê? Pensei bastante nisso, e creio que consegui pôr o dedo mental na resposta. Mas vou ter de fazer um preambulozito antes de lá chegar.

Tal como a anterior, esta é uma daquelas histórias de ficção científica que se centram na resolução de problemas. A FC é rica em histórias deste género, e houve autores, como Isaac Asimov, que construíram carreiras inteiras quase exclusivamente com base nelas. São histórias em que algo acontece de inesperado, e nas quais as personagens têm a responsabilidade de compreender o problema e de tentar arranjar solução para ele. E, o que é fulcral, são histórias que dependem de uma certa verosimilhança para funcionarem. Se o leitor não acredita no problema, não terá grande interesse na busca da solução, logo não terá grande interesse na história como um todo.

E é aqui que esta história de Blish falha comigo. Por imaginativa que ela seja, não consegue levar-me a acreditar no problema em que mergulha as personagens. Por demasiados motivos que não me parece que valha a pena escalpelizar, mas que começam logo por Blish se servir da velha e estafada analogia planetária para o átomo, proposta por Ernest Rutherford por volta de 1910 e ultrapassada ainda nos anos 20. Ora, o conto foi escrito 30 anos mais tarde.

Quer isto dizer que achei este conto bastante fraco, o pior do livro até agora.

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